Perto de completar 71 anos, no dia 18 de junho, Paul McCartney mostrou,
em sua passagem pelo Brasil que continua em forma. Músico de
excelência, ele sustenta quase três horas de show sem beber água ou
descansar, participa das 38 canções do repertório da noite e esbanja
charme e simpatia por onde passa.
Na despedida da turnê "Out There" pelo Brasil, em Fortaleza, o
ex-beatle ainda "abençoou" as alianças de noivado de um casal que teve
seu pedido de subir ao palco atendido pelo músico. Caroline e Kenzo, que
se conheceram no show de uma banda cover dos Beatles, reafirmaram os
votos diante de Paul, de sua banda e de 50 mil pessoas.
O show no estádio Arena Castelão, na noite desta quinta (9), foi
marcado por uma noite de emoção e grande participação do público. Nem
mesmo o atraso de pouco mais de meia hora desfez a empolgação dos fãs,
representados por diversas gerações. Era o caso do empresário Francisco
de Oliveira, 59, e sua esposa, a escritora Clara Oliveira, 65. Moradores
do interior do Ceará, eles enfrentaram seis horas de viagem e mais duas
de engarrafamento até o local do show.
"Tudo vale a pena, porque tudo o que você precisa é de amor", respondia
Francisco, parafraseando a canção "All You Need is Love", que ficou de
fora do set list dessa turnê. Os pequenos Lara, 6, e Lucas, 7, filhos do
casal, também não conseguiam esconder a ansiedade. "Eu amo o Paul,
quero que ele autografe minha camisa", disse o menino.
Inaugurado em dezembro de 2012, o Castelão ainda tem uma série de obras
a serem finalizadas em seu entorno. Mesmo após o início do show,
congestionamentos estendiam-se pelas avenidas que davam acesso ao
estádio, o que fez bastante gente perder o início do espetáculo.
Enquanto Paul não subia no palco, os espectadores que conseguiram chegar
cedo e garantiram um lugar, organizaram um "olé". Assim como aconteceu
em Goiânia, o músico não conseguiu manter a pontualidade britânica e, em
Fortaleza, a banda subiu ao palco às 21h36.
O blazer azul escuro de cortes retos não resistiu ao calor de 28ºC. Já
na segunda música, Paul desfez-se do casaco enquanto dizia longe do
microfone: "cara, que calor!". Os botões mais próximos à gola foram logo
desabotoados e as mangas arregaçadas.
O repertório não teve qualquer alteração em relação aos dois shows que o
antecederam, em Belo Horizonte e Goiânia. As surpresas ficaram por
conta das centenas de balões verdes e amarelos jogados ao ar pelo
público durante a canção "Hey Jude". "Blackbird" emocionou ao ser
entoada do alto do "elevador", uma das novidades da estrutura do palco
de "Out There". E "Let It Be" transformou a Arena Castelão em várias
ondas de luz.
O setlist trouxe ainda os clássicos "All My Loving", "Hey Jude",
"Yesterday" e "Helter Skelter". Sucessos do Wings, banda formada por
McCartney após o fim dos Beatles, como "Junior's Farm", "Let Me Roll
It", "Band On The Run" e a apoteótica "Live and Let Die" agraciaram os
fãs da banda que perdurou de 1971 a 1981.
Visivelmente mais cansado – a banda teve apenas um dia de descanso
entre os dois primeiros shows e dois dias até o show no Castelão –, Paul
não abriu muitos sorrisos no início do show, mas foi se deixando
contagiar pela energia que emanava da plateia. "Finalmente Paul veio no
Castelão!", disse o músico para depois completar: "Esta noite vou tentar
falar um pouco de português, espero não falar bobagem", divertiu-se.
Brincando com o público, Paul aprendeu algumas das inúmeras gírias
cearenses, levando a plateia a se divertir junto. "Vamos botar boneco",
convidou o músico utilizando a expressão que quer dizer se divertir,
extrapolar. Paul também arriscou o "eita má", uma abreviação de "eita,
macho", muito usada na região.
Com exatas 2 horas e 40 minutos de show, McCartney diz que "é hora de
partir, temos que vazar. Tchau, Fortaleza, até a próxima vez". De
Fortaleza, a turnê de "Out There" segue para os Estados Unidos, com show
em Orlando no dia 18 de maio e encerra no dia 14 de agosto, no Canadá.